Contabilidade e Matemática para Negócios e Concursos

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Financiamento a pagar de longo prazo prefixado

A Contabilização para empréstimo de longo prazo pre-fixado ou financiamento a pagar é semelhante ao de curto prazo. Mas, algumas características devem ser observadas.

Empréstimo de longo prazo ou financiamento a pagar


Como se sabe, ao percebermos que se trata de um Financiamento ou empréstimo a pagar de longo prazo. Inicialmente o registramos no PASSIVO NÃO CIRCULANTE, mas, ao final do exercício social, logo na data do Balanço Patrimonial, podemos reclassificar para o PASSIVO CIRCULANTE aquela parte que vamos pagar até o final do exercício seguinte, ou seja, o valor referente àquelas parcelas dos próximos 12 meses

Vamos fazer um exemplo:


A empresa M O Contabilidade visando obter capital de giro contrai um empréstimo a pagar. A data da operação foi no final de 2012 ao valor de R$ 15.000,00 observando uma taxa de juros de 12% ao ano. O Pagamento deve ser feito em 5 vezes de R$ 4.161,15 e com parcelas anuais. A Operação teve um custo de R$ 900,00 que foi descontado no momento da contratação

Empréstimo de longo prazo a pagar -  fórmula do cálculo das parcelas
Atenção: Como foi feito no empréstimo/financiamento de curto prazo pre-fixado, a prestação deve ser calculada com base no valor cheio e também à taxa nominal, ou seja, R$ 15.000 à taxa de 12% ao ano e em 5 anos.

PV = PMT . [(1 + i )-1 /  i . (1 + i )n].

Essa fórmula é para calcular o valor da prestação, sendo nesse caso, o seguinte:

  • PV => valor presente = 15.000;
  • PMT = Valor da parcela?
  • i => taxa de 12% (nominal);
  • n => 5 (período de 5 anos)
Nesse caso, usa-se a mesma fórmula já conhecida para se calcular financiamento e com isso se encontra o valor das prestações (PRICE).
PMT = 4.161,15 (Dada no problema acima)

Porém, temos também que encontrar a taxa efetiva e, encontramos essa taxa após observarmos o valor liberado na conta, ou seja, R$ 15.000 – 900 =14.100. Pegamos esses 14.100 e colocamos na fórmula do financiamento dada acima e ao invés de procurarmos a prestação, pois, já temos (4.161,15),  vamos procurar pela taxa. Essa taxa será a efetiva do financiamento.

PV = PMT . [(1 + i )-1 /  i . (1 + i )n]
  • PV => valor presente = 14.100;
  • PMT = 4.161,15
  • i => ?
  • n => 5 (período de 5 anos)
Taxa Efetiva = 14,5462% ao ano.

Assim, a taxa efetiva é na verdade de 14,5462% ao ano e é esta que vamos usar sobre o saldo devedor liberado na nossa conta que é de R$ 14.100.

A taxa de 12% ao ano vamos utilizá-la apenas para encontrar os juros do valor cheio, ou seja, R$ 15.000 e, tais juros, também usaremos na nossa segunda planilha.

Entenda os cálculos abaixo:

O principal multiplicado pela taxa de 12% = juros do período. A soma de principal + juros do período o valor total do período do qual será subtraído a prestação. Assim ficamos com o saldo devedor na última coluna e que é esse saldo quem inicia o próximo período, seguindo esses passos até zerar.

Obs. A diferença de centavos se dar por causa dos arredondamentos, porém, nesses valores, não serão relevantes.

Cálculo das despesas com juros
PeríodoPrincipalJuros/períodoJuros + PrincipalPrestaçãoSaldo devedor
201315.000,001.800,0016.800,004.161,1512.638,85
201412.638,851.516,6614.155,514.161,159.994,36
20159.994,361.199,3211.193,694.161,157.032,54
20167.032,54843,907.876,444.161,153.715,29
20173.715,29445,834.161,124.161,15-0,03
Total5.805,72-0
Esses valores da coluna dos juros serão utilizados na segunda planilha, na coluna juros.

Nessa segunda planilha, começamos com o saldo devedor sendo aquele que recebemos na nossa conta banco. Sobre esse saldo devedor de R$ 14.100 é que vai incindir a taxa efetiva de 14,5462% a cada saldo devedor do período.

O resultado serão os encargos totais do período. Esses encargos totais do período menos os juros calculados do principal, R$ 15.000, já realizado na planilha acima será a amortização do custo de transação ou seja, aqueles R$ 900.

  Encargos Financeiros
DataSaldo InicialDesp. Juros/Totaljuros do Princip Amortização CT Pagamentos Saldo Final
014.100,0014.100,00
114.100,002.051,011.800,00251,014.161,1511.989,86
211.989,861.744,071.516,66227,414.161,159.572,78
39.572,781.392,481.199,32193,154.161,156.804,11
46.804,11989,74843,90145,844.161,153.632,70
53.632,70528,42445,8382,584.161,15-0,03
Total6.705,725.805,72899,9920.808,75
Também da mesma forma que o caso anterior, após chegarmos na última coluna, esse saldo será o devedor que inicia o próximo período.

Vamos ver como teriam sidos os lançamentos pelo recebimento na conta corrente, apropriação de encargos e pagamento de parcelas.

Pela liberação na Conta Banco.

  • D - Banco ------------------------------------- 14.100
  • D - Custo de transação a amortizar (LP)------900
  • C - Empréstimo a pagar de Long Prazo ---15.000
Percebemos aí dois débitos e um crédito. Os dois últimos pertencem ao PASSIVO NÃO CIRCULANTE nesse início de operação. Vamos ver como ficam esses dois últimos lá no PASSIVO quando do Balanço Patrimonial:

  • PASSIVO NÃO CIRCULANTE --------------14.100
  • Empréstimo a pagar de Longo Prazo ------15.000
  • (-) Custo de transação a amortizar (LP) ---- (900)
Agora, da mesma forma como no curto prazo, no finalzinho do período, precisamos apropriar esses encargos, já que o período está sendo encerrando e a prestação vai ser paga um pouco mais a frente:
Pela apropriação dos juros:

  • D - Despesas com juros -------------1.800
  • C - Empréstimo de Longo Prazo --1.800
Pela apropriação do custo de transação a amortizar:

  • D - Despesas com custo de transação ------- 251,01
  • C -Custo de transação a amortizar (LP)----- 251,01
Essa apropriação de juros e custo de amortização devem ser feito ano a ano, já que as parcelas são pagas anualmente.

ATENÇÃO!!!

Reclassificação da parcela de longo para curto prazo.

Falei no início da postagem que inicialmente esse financiamento a pagar de longo prazo deve ser registrado no PASSIVO NÃO CIRCULANTE. Porém, chegando ao final do exercício, na data do Balanço Patrimonial em 31/12/2013, sabemos que como as parcelas são anuais, há uma delas que será paga até o final do exercício seguinte.

Nesse caso precisamos reclassificar essa parcela para o PASSIVO CIRCULANTE, veja:
  • D - Empréstimo de longo prazo ------------ 4.161,15
  • C - Empréstimo a pagar (curto prazo) -------------- 4.161,15
Finalmente, pelo pagamento de qualquer das parcelas:
  • D - Empréstimo de Longo prazo/curto prazo --- 4.161,15
  • C - Conta Banco -------------------------------------4.161,15
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