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domingo, 17 de abril de 2016

Surgimento da moeda e conceitos de criação ou destruição de moeda

O Surgimento da moeda não veio por acaso ou por simples vaidade, mas por causa das grandes dificuldades enfrentadas pelo Mercado de Escambo.


O surgimento da Moeda

Definição de Moeda


Moeda é tudo aquilo que geralmente é aceito como meio de trocas de bens e serviços.

Dificuldades da economia de escambo

Escambo => era um sistema de troca direta de mercadoria por mercadoria, mercadoria por serviço ou ainda, serviço por serviço.
  1. tinha sempre que haver uma coincidência de interesses(o indivíduo “A” dispõe de arroz e quer trocar por carne; para se realizar essa troca, é imprescindível que ele encontre um indivíduo “B” que tenha carne e queira arroz).
  2. outra dificuldade consistia em se estabelecer as relações ou preços de troca (valores entre dois bens bastante diferentes).
Reflexão: devido isso, esse sistema, percebido na mais remota antiguidade, era ineficiente. As mudanças necessárias aconteceram, porém, lentamente.
Por representar uma troca direta, escambo não pode ser considerado moeda, ainda que as vezes esteja constando na literatura como tal.

Ao passo que o novo sistema de trocas indireta foi se desenvolvendo, a moeda teve diferentes formas, nos mais diferentes países e épocas. Formas e tipos de moedas são mostradas a baixo numa ordem quase cronológica de seu aparecimento.

Surge um sistema de trocas  indiretas: uma mercadoria qualquer, que tivesse aceitação geral, passa a ser usada como meio de pagamento. Aqui se dar a introdução da moeda no sistema econômico e que, ainda passaria por um processo evolutivo natural, dando origem a todo o sistema  monetário moderno.

(O surgimento da moeda) Vejamos:

Moeda mercadoria - uma mercadoria relativamente escassa e não facilmente perecível era escolhida (nem sempre possível). Em diferentes locais e épocas, foram usados como moeda: sal, peles, fumo, gado, trigo, rum, carne seca, ferro, cobre, dentre outros.

Moeda metálica - tinha a maior preferência, não só pela sua relativa escassez, mas, também, pela sua durabilidade e fácil divisibilidade. O ferro, o cobre e o bronze foram bastante utilizados, porém, com uma maior predominância do uso dos metais preciosos, notadamente a prata e o ouro.

Moeda papel - Aos pouco, foram surgindo as casas de custódia desses metais em diversos pontos que, começaram a receber em depósito os metais preciosos dos comerciantes, emitindo em troca um recibo ou certificado denominado de moeda papel, que era de valor correspondente e geralmente aceito nas transações. Sua característica principal era possuir lastro integral (100%) em ouro, isto é, a qualquer momento o possuidor  do certificado poderia  ir à casa de custódia emissora e reconvertê-lo em ouro ou prata. Daí sua crescente aceitabilidade como meio de pagamento em substituição aos próprios metais preciosos.

Papel moeda - Surgiu uma crescente demanda por esses certificados e as casas de custódia passaram a emitir  certificados cujo valor global  em circulação excedia  o valor total dos metais preciosos que lá estavam depositados.

Nem todos os depositantes resgatavam, ao mesmo tempo, seus depósitos. E mesmo quando alguns vinham para reconverter seus certificados em ouro, outros vinham para depositar.

Dessa forma, mesmo com um encaixe metálico  menor, era possível garantir a liquidez dos certificados, isto é, garantir as reconversões que, em média, na semana ou no mês, correspondia apenas uma fração do total dos certificados em circulação.

Daí, deu-se a passagem da moeda papel para os certificados emitidos  sem o correspondente lastro em ouro ou prata e que vieram  a ser chamados  de papel moeda. Aos pouco, o uso de papel moeda como meio de pagamento nas transações torna-se geral, haja visto, o fato de que sua aceitação era geral, não havendo questionamentos sobre a possibilidade de convertê-lo ou não em ouro.

Para evitar emissões exageradas, houve a proibição de emissão de papel moeda pelos bancos privados (antigas casas de custódia), ficando sua emissão  a cargo de uma instituição oficial (hoje, são os Bancos Centrais de cada país).


Desenvolvimento do sistema de trocas e a evolução da moeda


o-surgimento-da-moeda
Tipos de moeda (O surgimento da moeda)

Espécies  ou formas de moeda (para fins didáticos):

  1. Moeda manual - emitida pela Casa da Moeda (cédulas e moedas metálicas em circulação).
  2. Moeda escritural ou bancária - Depósitos à vista nos bancos comerciais. (chamadas moedas fiduciárias - aquelas em se tem fé ou se acredita), tendo em vista que não possuem valor intrínseco.  O fato de ter aceitação generalizada  nas transações econômicas é o lhe constitui moeda.
Funções desempenhadas pela moeda reconhecidas pela ciência econômica

Instrumento de troca - quando esta tem aceitação generalizada como meio de pagamento nas transações, servindo como instrumento ou intermediária de trocas entre os indivíduos, satisfazendo as duas partes.

Padrão de referência de valor - quando for possível que através da moeda, todos os fatores de produção e os produtos (bens e serviços) possam ter seus valores expressos em unidades monetárias, de forma que, facilite a avaliação e comparação de todos os recursos e produtos disponíveis na Economia.

Reserva de valor - quando se entende que o indivíduo pode manter sua riqueza (ou parte dela) sob a forma de moeda, durante certo tempo, haja visto que, esse valor será aceito amanhã ou depois, quando vier a fazer parte de uma transação, pois, tem liquidez absoluta.

Porém, sendo mantida sua riqueza sob a forma de moeda, deixará ganhar, já que a moeda em si não gera rendimentos.

Outro problema com o indivíduo irá se deparar nesse caso, em períodos inflacionários, é a perca com a desvalorização da moeda.

Indicadores monetários (O surgimento da moeda)

O Banco Central do Brasil divulga diariamente, uma estatística da evolução do saldo de diversos conceitos de moeda, veja:

Papel moeda emitido (PME) - Trata-se do total de dinheiro “autorizado” (isto é, produzido ou fabricado) pelas Autoridades Monetárias.

Papel moeda em circulação (PMC) - Equivale ao total do papel moeda emitido (PME) menos o dinheiro que se encontra no caixa do Banco Central.

Papel moeda em poder do público (PMP) - Deduzindo-se do papel moeda em circulação (PMC) o dinheiro em caixa dos bancos comerciais, tem-se o total de dinheiro em poder do público, isto é, todos os indivíduos e empresas (exclusive, claro, os bancos comerciais).

Meios de pagamento (O surgimento da moeda)

Meios de pagamento (M) são todos os haveres possuídos pelo setor não bancário e que podem ser utilizados a qualquer momento para liquidação de qualquer compromisso em moeda nacional. Ou seja, tais haveres possuem liquidez absoluta e imediata.

Nessas condições, temos dois haveres: o papel moeda em poder do público (PMP) e a moeda escritural, representada pelos depósitos a vista nos bancos comerciais públicos e privados (DVBC).

Dessa forma, temos a expressão abaixo que define o total de meios de pagamento (M):

M = PMP + DVBC (moeda escritural)

De acordo com estatísticas, no Brasil, a opção das pessoas é a seguinte: mantém um percentual de 20% de seus meios de pagamento sob a forma de dinheiro no bolso (PMP) e os outros 80% como depósitos em conta corrente nos bancos comerciais (DVBC).

Conceito de criação e destruição de moeda (O surgimento da moeda)

Indivíduos e as empresas, diariamente, realiza operações com o setor bancário comercial, essas operações são traduzidas em depósitos, saques, pagamentos diversos (luz, telefone), tomada ou quitação de empréstimo etc.

Conforme seja a natureza dessas operações, poderá ou não, se reduzir ou aumentar, o total de meios de pagamentos. 

Se o resultado for um aumento dos meios de pagamento, têm-se aí uma criação de moeda; se ocorrer uma redução dos meios de pagamento, tem-se uma destruição de moeda.

Perceba que durante o processo de criação de moeda, o setor bancário recebe do público, um "haver não monetário" (Exemplo, uma nota promissória) e também o público recebe deste um “haver monetário” (Exemplo, um empréstimo).

No caso de destruição de moeda, o público entrega  ao banco um ativo monetário (dinheiro em espécie para pagamento da nota promissória) e recebe um ativo não monetário (a promissória vencida).

Atenção: Para que se perceba a criação ou destruição de moeda, deverá haver na transação, um agente do setor bancário e outro do setor não bancário.
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