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segunda-feira, 11 de abril de 2016

Fatores de produção e custo de oportunidade

No início desses artigos sobre Conceitos Introdutórios de Economia foi abordamos superficialmente o conceito de fatores de produção. Daqui para frente veremos um pouco mais sobre esse assunto, procurando explorá-lo um pouco mais.

Antes, vamos relembrarmos a diferença entre esses dois conceitos:

  1. Macroeconomia - essa parte da análise econômica refere-se ao conjunto, ou seja, o todo. Ao fazer análise em proporções de macroeconomia, estaremos analisando a inflação, PIB, desempenho da economia como um todo, das contas do governo, contas externas.
  2. Microeconomia - O prefixo micro já nos dar ideia de que a análise aqui será feita apenas em uma parte, ou seja, ainda que seja em mais de uma parte, essa análise em feita em partes isoladas, como, por exemplo, análise do comportamento do consumidor, do comportamento da empresa (firma), do comportamento da produção, dos custos de produção, etc..
Retomando o assunto sobre fatores de produção, dizemos que são os meios disponíveis para se gerar os produtos que a sociedade necessita.

Quando se fala meios disponíveis, logo, percebemos que sua principal característica é a escassez.

Sem dúvida, a escassez dos fatores de produção é o cerne da questão econômica.

O maior tema econômico é tentar equilibrar a escassez de recursos com as necessidades humanas, uma vez que, essas necessidades humanas só aumentam, ao passo que esses recursos se tornam cada vez mais escassos. Como não é possível nunca atender à todas essas necessidades, então, terá que haver escolhas, por exemplo, após fazer uma análise de nossos fatores de produção, chegamos a conclusão que ou fazemos a estrada para transitar caminhões que vão transportar a produção de uma cidade a outra e que estamos necessitando ou se construímos a estação ferroviária que, também estamos precisando?

Não adianta dizer que faça os dois porque já foi dito que após alocar todos os fatores de produção, só é possível fazer uma obra de cada vez e é ai que temos que abrir mão de um e, essa escolha terá que ser bem analisada, pois não tem jeito, estaremos diante de uma:

ESCASSEZ x ESCOLHA x PERDAS


Metodologia usada dentro da economia

1 - Método lógico-dedutivo - as conclusões deduzidas de natureza abstrata, que são convenientemente interpretadas, faz com que seja possível o retorno ao mundo real.

2 - Modelos - são simplificações da realidade, onde, ao olhar essa realidade como ela se apresenta de fato nesse determinado momento poderei perceber muitas informações atuando ao mesmo tempo, daí, se tornaria muito difícil a compreensão desse universo econômico, precisando então de um modelo que me sirva de base, por exemplo, um mapa, que, apesar de não ter todos os elementos da situação, mas já servirá de orientação.

3 - Hipótese “coeteris paribus”- tudo mais constante, por exemplo, supondo que estamos querendo observar o impacto do aumento na renda sobre o consumo de televisores, irei então simular uma situação em que as outras variáveis não tenha mudado, ou seja, que não tenha mudado nem a preferência do consumidor, nem os televisores do nosso concorrente, etc.. Caso tudo isso esteja mudando, será muito difícil descobrir o impacto da variação da renda sobre o consumo desse bem. Uma variável será testada de cada vez.

4 - Homem econômico” - temos que trabalhar com a hipótese de que o agente econômico seja racional, ou seja, que consiga atingir a máxima satisfação, fazendo a partir do conjunto de informações, suas escolhas corretas.

Haverá a análise estática-comparativa e equilíbrio parcial que, serão confrontadas, havendo sempre entre duas ou mais situações de equilíbrio.

Teoria do consumidor

Consumidores - são aqueles agentes que buscam determinado produto ou serviço, são os que causam a demanda.

Valor -  função (utilidade), ou seja, conforme sua utilidade, será estipulado o seu valor.

Utilidade total X utilidade marginal

A utilidade marginal (satisfação adicional) é o quanto sua satisfação vai ser acrescida, ou seja, o quanto que foi adicionado à sua satisfação com aquele bem em uma determinada situação, por exemplo, em situação normal, onde você vai no seu carro de uma cidade a outra, você nem teria interesse por uma bicicleta, porém, seu carro por algum motivo parou de funcionar e você sabe que tem um posto a 8 km dali, então, muito provavelmente, para você, aumentaria em muito o valor, ou seja, a satisfação de ter uma bicicleta naquele momento.

Isso é um acréscimo de satisfação que é igual a satisfação marginal que pode ser alta ou baixa, conforme sua satisfação.

Demanda individual

  • Demanda individual ==> O consumidor fará suas escolhas com a intenção de maximizar a sua utilidade em função de variações no preço do do produto ou serviço.
  • Demanda de mercado ==> Somatório das demandas individuais.
Fatores de produção e custo de oportunidade

Olhando no gráfico, onde o eixo vertical refere-se ao preço da quantidade no eixo horizontal. No momento em que se tem 1 quantidade, temos ainda uma escassez e seu valor marginal é alto, custando R$ 4 e, ao passo que vai aumentando a quantidade disponível, o seu preço vai caindo.

Elasticidade


Há alguma ressalvas quanto ao exposto acima, por conta de alguns produtos que têm suas especificidades, ou seja, essencial para um determinado consumidor, que não mudam muito em relação as alterações de preços, como por exemplo, pessoas que fumam. Mesmo havendo alterações de preços, elas vão continuar a fumar. Aí, podemos ver a - Demanda mais inelástica (pouco sensível à variação do preço).

Já no caso de ser um produto já não tão essencial, como por exemplo, um sorvete, que dependendo da elevação de seu preço, posso ou não comprá-lo, mostrando assim que a demanda para esse produto é sensível à alteração de preço. - Demanda elástica.

Elasticidade-preço da demanda - vem a medir o quanto a demanda é influenciável pelo fator "preço"

Elasticidade-preço da oferta –  mede o grau de sensibilidade da quantidade oferecida após variações no preço, quando irá se perceber uma resposta a essa variação percentual no preço de certo bem ou serviço.

Função demanda


Função geral de demanda (junção à identificação de todas as possíveis variáveis que vão afetar o consumo de um determinado produto ou serviço).

Isso acontece porque, se há dois ou mais produtos, sempre que aumenta o preço de um, afetará o consumo do outro.

Qdi = f (Pi, Ps, Pc, R, G, etc)

Qdi = Quantidade demandada do bem i
Pi = preço do bem i
Ps = preço do bem substituto
Pc = preço do bem complementar
R = renda
G = gosto, preferência

Teoria da firma e da produção

Firma - unidade que processa as informações (matéria prima, insumos) e que toma as decisões produtivas relativa à produção e aos preços, no que diz respeito de alocação de recursos escassos.

Ao falar de produção devemos distinguir os termos curto prazo longo prazo.  No curto prazo, pelo menos um dos fatores de produção (terra, mão de obra, máquinas e equipamentos, capital a ser investido e capacidade empresarial) é fixo. Nesse curto prazo haverá pelo menos um fator de produção que impossibilita de um dia para o outro poder ampliar a produção, dependendo do tipo de negócio.

Enquanto que no longo prazo poderá ser possível sim, já que todos os fatores de produção poderão variar.

Função de produção


É a relação entre a quantidade física de fatores de produção (tudo que vai fazer parte do processo de produção - terra, mão de obra, máquinas e equipamentos, capital a ser investido e capacidade empresarial) a serem utilizados e a quantidade física do produto obtido em determinado período de tempo.

                                  Y = f (K, L)
Y = produto
K = capital
L = mão-de-obra

Lei dos rendimentos decrescentes

Curto prazo


Se um dos fatores de produção é fixo, o acréscimo do outro fator faz com que a produção cresça a taxas decrescentes.

Um exemplo a ser dado é, por exemplo, se todos meus fatores de produção já estão operando no limite e de repente eu queira aumentar a produção, pois tenho um capital disponível, maquinários, etc., mas me falta espaço físico para alocar os demais fatores que tenho a disposição.

Essa falta de espaço existente e que não posso adquirir um espaço maior no curto prazo é um fator fixo e que me impossibilita no momento, de aumentar a produção como eu gostaria.

Longo prazo

  1. Rendimentos constantes de escala (consiste no aumento da produção à medida em que consegue aumentar todos os fatores produtivos - dobrando a quantidade de fatores de produção, irá dobrar a produção);
  2. Rendimentos crescentes de escala (dobrando a quantidade de fatores de produção, a produção irá mais do que dobrar);
  3. Rendimentos decrescentes de escala (dobrando os fatores de produção e a produção vindo a aumentar em uma proporção menor).

Minimização dos custos


Custos contábeis ==> custo que foi efetivamente desembolsado, por exemplo, salários, aluguéis, matéria prima, etc..

Custos econômicos ==> além dos custos acima temos também custos de oportunidade. Por exemplo, a partir do momento em que temos um prédio próprio e não estamos pagando aluguel para nós mesmo, não estamos tendo aí custos contábeis, mas, estamos tendo custos de oportunidade, quando deixamos de ganhar dinheiro com ele, alugando-o.

Compondo os custos


CT= CF + CV

CT = custo total
CF = custo fixo (não tem relação nenhuma com a quantidade produzida, ou seja, se produzindo 1 unidade e o custo fixo for R$ 10.000, produzindo 10 unidades, o custo fixo permanecerá os mesmos R$ 10.000);

CV = custo variável (conforme seja alterada a quantidade da produção, esse custo também se altera).

Custo médio e custo marginal

CMe = CT/Q
CME = custo médio
Q = quantidade produzida
CMg = ∆CT/ ∆Q
CMg = custo marginal
∆CT = variação no custo total
∆Q = variação na quantidade produzida

O custo marginal e a curva de oferta da firma

Curva de custo marginal

Formato de “U” (cai e depois sobe)
Rendimentos decrescentes X custos crescentes
Curva de oferta

Considerando diferentes níveis de preços, a firma define diferentes pontos de maximização do lucro que dão origem à Curva de Oferta

A curva de custo marginal tem formato de "U" porque, lembrando da Lei dos rendimentos decrescentes, onde, mesmo aumentando alguns fatores de produção e, não sendo possível aumentar um dos fatores, no caso, o espaço físico, então, a produção até vai aumentar, porém cada vez em menores taxas, haja visto que o espaço físico não aumentou e vai acabar limitando a produção.

Então, para um dado aumento na produção, supondo que estejamos com uma contratação alta de funcionário, matéria prima, etc., o rendimento desses fatores de produção vai está baixo.

Essa adição na produção iria necessitar mais contratação, haja visto que, com menos rendimento, onde antes havia 4 trabalhadores, irei precisar de 5 para fazer um mesmo serviço, por consequência desses rendimentos decrescentes e, com isso, haverá uma adição a mais no custo, tornando esse custo marginal crescente. Isso ocasionou porque um dos fatores de produção (espaço físico) permaneceu fixo.

Então, à medida em que se vai contratando mais fatores de produção, teremos rendimento cada vez menores. Para que haja continuação na maximização do lucro, o que deve acontecer com o preço do produto? Nesse caso, que o preço do produto ou serviço que estamos produzindo, seja maior.

Fatores de produção e custo de oportunidade-1

Podemos observar nessa curva de oferta na foto acima, o preço no eixo vertical e no eixo horizontal, a quantidade e,  é positivamente inclinada. Ou seja, no momento em que a quantidade produzida vai aumentando, o preço vai acompanhando esse aumento da quantidade.

Isso acontece porque, ao ampliar a produção, teve que contratar mais fatores de produção (lembrando que alguns deles podem ser incorporados e outros não, ao processo produtivo) e supondo que mesmo tendo havido contratação de trabalhadores para um local que é pequeno para tantos e só poderá sair e ir para um outro maior depois de vencer o contrato.

Então mesmo com esse número de trabalhadores, poderá haver uma queda de rendimento desses trabalhadores.

Tendo um rendimento menor desses fatores, então, mais fatores produtivos deverão ser contratados nesse período, haja visto que não pode parar, porém, haverá elevação nos custos, resultando no aumento do preço do produto ou bem a ser produzido e vendido.
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